Calor e chuvas acima da média em MG devem impactar produção de alimentos

Por outro lado, esse cenário pode beneficiar a venda de equipamentos de refrigeração

img
Os alimentos in natura devem ser os mais impactados pelas mudanças climáticas em Minas Gerais | Crédito: Cornélio França / Embrapa

Minas Gerais pode registrar ondas de calor e quantidades de chuvas acima da média histórica durante o primeiro trimestre de 2024. É o que alerta o Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais (Simge), do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Esse cenário pode influenciar na produção e valor dos alimentos e beneficiar a venda de equipamentos de refrigeração.

O economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), Diogo Santos, ressalta que os efeitos das mudanças climáticas na economia ainda é um assunto aberto e discutido por especialistas, em que os analistas estão buscando antecipar esses efeitos. “Muitas coisas são especulações do que pode acontecer e não previsões do que vai acontecer”, explica.

Considerando cenários anteriores parecidos com este apontado pelo Simge para o início do próximo ano, Santos destaca que os alimentos, com destaque para aqueles in natura, poderão ser os mais impactados, tanto do ponto de vista da oferta quanto na demanda. O economista aponta que fatores climáticos podem gerar fortes consequências na produção de grãos, frutas e demais alimentos.

Ele ainda lembra que fortes chuvas no início de 2023 acabaram prejudicando os produtores da região Sul do Brasil que trabalham com animais para o abate. Situação parecida com esta pode ocorrer nas regiões Norte, Noroeste e no Vale do Jequitinhonha, onde o Simge espera anomalias positivas de precipitação, com cerca de 50 a 100 milímetros (mm) acima da média.

Quanto à temperatura, o órgão prevê que a maior parte de Minas fique com 1°C acima da média histórica, podendo chegar a 2°C no extremo norte mineiro, como na região Norte e no Jequitinhonha. Isso é causado pela continuidade do fenômeno atmosférico-oceânico, conhecido como El Niño, que é caracterizado por anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM).

O meteorologista do Simge, Heriberto dos Anjos, ressalta que o El Niño 2023/2024 já está entre os cinco mais intensos já registrados desde 1950. “A tendência é que persista influenciando no clima por toda a estação do verão, ou seja, até o final de março de 2024”, completa.

Nesse caso, segundo o economista do Ipead, Minas Gerais deve registrar um aumento no consumo de energia elétrica, tanto por parte das empresas quanto das pessoas. Esse aumento na demanda deve impactar no aumento das tarifas, o que, consequentemente, poderia forçar as empresas repassarem essa elevação dos custos para o consumidor final.

No entanto, Santos lembra que existe um setor do que vem se beneficiando com este cenário recente de altas temperaturas, as lojas de equipamentos de refrigeração. “A demanda por equipamentos de refrigeração já vinha crescendo nos últimos meses e deve continuar nesse ritmo devido ao aumento da temperatura”, analisa.

Fonte: Jornal Diário do Comércio – Publicado em 28/21/2023 – Reportagem Leonardo Leão – caderno de Economia.

Posted in Inflação, IPC and tagged .

Assessoria de Comunicação Fundação IPEAD

View posts by Assessoria de Comunicação Fundação IPEAD

Assessoria de Comunicação Fundação IPEAD - ipead@ipead.face.ufmg.br