IPCA registra queda de 0,17% em fevereiro em Belo Horizonte

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em Belo Horizonte apresentou uma queda de 0,17% em fevereiro na comparação com janeiro. Os dados foram divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais da Universidade Federal de Minas Gerais (Ipead/UFMG) nessa terça-feira (3).

De acordo com a coordenadora de pesquisas da entidade, Thaize Martins, o decréscimo já é esperado para fevereiro. Ela afirma que em 2019, por exemplo, o recuo para o mês foi de 0,24%, de -0,44% em 2018 e de -0,43% em 2017.

“Esse é um comportamento esperado para o mês de fevereiro porque em janeiro, em geral, os valores sobem muito”, ressalta Thaize Martins.

O item energia elétrica foi o que mais contribuiu para a deflação em fevereiro, com uma redução de 2,33%. Conforme frisa a coordenadora de pesquisas do Ipead/UFMG, isso tem a ver com a volta para a bandeira verde, quando não existe a cobrança de uma tarifa adicional.

Alguns itens agregados também tiveram uma contribuição maior para o resultado negativo deste mês, em termos de variação mensal. A categoria vestuários e complementos, por exemplo, foi a que teve o maior recuo, de 3,22%. “Essa, em geral, é uma época em que há muitas promoções, devido a mudanças de coleção”, diz a coordenadora de pesquisas do Ipead/UFMG.

A redução nos alimentos de elaboração primária, por sua vez, foi de 1,41%. “Os valores da carne estão diminuindo”, justifica Thaize Martins.

Já em relação às maiores altas apuradas em fevereiro, a categoria de alimentos in natura foi a que apresentou crescimento de destaque, de 7,65%, sendo que o impacto mais forte veio do aumento do preço do tomate (43,99%). O valor mais elevado do produto, explica a coordenadora de pesquisas do Ipead/UFMG, está relacionado ao período chuvoso.

Mesmo com a redução verificada em fevereiro, a inflação acumulada nos últimos 12 meses na capital mineira foi de 4,68%, acima da meta de 4% definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2020.

“Porém, esses números estão mais relacionados aos resultados de 2019. Em 2020, tem a influência de janeiro, que já costuma apresentar alta. No decorrer do ano, é provável que esse valor diminua”, salienta Thaize Martins.

Cesta – Se o IPCA teve queda, o custo da cesta básica, por sua vez, apresentou aumento em fevereiro, de 1,26%, atingindo o valor de R$ 464,83, o que equivale a 44,48% do salário mínimo. O resultado veio após uma queda de 1,12% no primeiro mês do ano.
Conforme destaca Thaize Martins, o grande responsável por esse aumento foi o Tomate Santa Cruz (43,95%). Em seguida, vem a farinha de trigo (4,67%), o arroz (3,58%), o feijão carioquinha (1,69%) e o açúcar cristal (1,65%).

Por outro lado, as maiores quedas de preço foram registradas na batata inglesa (-10,69%) e na chã de dentro (-3,97%).

Confiança – Os dados divulgados pelo Ipead/UFMG também mostram que os consumidores estão mais confiantes. O Índice de Confiança ao Consumidor (ICC) chegou aos 39,25 pontos em fevereiro, o que representa um aumento de 1,55% em relação a janeiro. Porém, o ICC ainda está abaixo dos 50 pontos, que separam o otimismo do pessimismo.

Thaize Martins frisa que o aumento dos números foi motivado, sobretudo, pela percepção relacionada ao emprego, que teve alta de 11,32%. Por outro lado, a percepção em relação à situação econômica do País apresentou um recuo de 9,25%.

A pretensão de compras também apresentou queda em fevereiro, de 0,27%. “Em janeiro, a pretensão de compras é maior, em geral, pois muitas famílias estão de férias, têm recursos extras, fazem compras de viagens”, analisa a coordenadora.

Taxa de juros – Ainda de acordo com os dados da entidade, a maior parte das taxas médias de juros praticadas para pessoa física apresentou recuo em fevereiro na comparação com janeiro.

O destaque nesse sentido foi para o cheque especial, com redução de 22,50%. A categoria construção civil – imóveis construídos, por sua vez, apresentou um aumento de 129%.
Quando se trata das taxas praticadas para pessoa jurídica, a maioria também teve recuo no mês. A maior redução foi verificada em antecipação de faturas de cartão de crédito, que teve queda de 21,74%.

Na captação, a maior parte dos itens também registrou números menores. O maior destaque foi para os fundos de longo prazo (-29,03%).

Fonte: Jornal Diário do Comércio – Publicado em 04/04/2020 por Juliana Siqueira. 


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